«o falso neutro»

“Para uma alteração da situação das mulheres será necessária uma fundamental mudança no discurso do saber- Ciência, Arte., Literatura – que constitua este num universo realmente humano, em substituição do actual universo falsamente neutro”

In, BARRENO, M. Isabel, 1985, INSTITUTO DE ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO (contracapa)

Uma elementar conta de subtrair mostra-nos o nº de anos que medeia entre o estudo supracitado e o momento actual. Nada mais, nada menos do que 22 anos.

A pesquisa a que recorro – na citação à laia de introdução – centrou-se num estudo ”…a partir da observação da vida escolar….e da análise de orientações pedagógicas e curriculares….,sobre as práticas e as atitudes mentais que obstam à consideração da diferença na igualdade entre sexos.(…) Fugindo,…,à explicitação das discriminações interiorizadas, quer nos indivíduos quer nos sistemas, ….sustentada pela hierarquização de papeis e funções sociais,…o sistema educativo não deixa de alimentar …resistências à mudança (…)”.

A pesquisa foi levada a cabo por BARRENO, na instância educativa – escola – com todo o peso das “…orientações pedagógicas e curriculares emanadas dos órgãos politicamente responsáveis pela educação(…)” Lembremos que, a escola – sistema educativo – é considerada/o a 2ª instância socializadora, logo após a família e juntamente com esta.
Apregoamos o respeito pelo outro, quaisquer que sejam as suas diferenças… Lembro-me de ler, no J.N., artigos, e alguns bem interessantes, sobre esta temática.

Mas serão os artigos que vão formar, ou quem os lê já tem, no mínimo, uma sensibilidade, apetência e conhecimento que o/a leva a fazer a ruptura com estereótipos e preconceitos que, de tão comuns, se infiltram nas práticas quotidianas, estruturando-se em padrões de leitura ao nível do senso comum, tantas vazes tido como “bom senso, porque… sempre foi assim” e mantém, na sociedade, discriminações, marginalidades e exclusões que, em nome de uma sociedade democrática (com tudo o que o conceito de democracia deve implicar), estou segura, a larga maioria de nós gostaria de ver eliminadas?!

Não teremos que repensar a hierarquia das várias instâncias socializadoras e obviamente exigir-lhes, com frontalidade e sem cedências, a assumpção pedagógica, à luz do respeito pelos outros e da ética, (sendo que os media estão presentes ao longo de toda a nossa existência), que ultrapassem o imediatismo do “ politicamente correcto” demarcado no tempo e na acção?

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