A propósito de educação sexual

Por mais que os anos passem há áreas de compreensão sobre públicas temáticas que me continuam nebulosas. Uma delas é a da educação sexual nas escolas agora em debate. Debate-se o “como”; o quê” e o “quanto”. O termo “debate” é aqui um eufemismo. Pois não vejo qualquer ideia aberta, qualquer avanço na questão. É mais um “patinhar” nos mesmos terrenos lodosos.

A educação sexual deveria começar nas famílias e desde a mais tenra idade ser complementada entre os grandes formadores das crianças e dos jovens: a família e a escola. O bebé é, desde o início, um ser sexual. E a sexualidade não é uma coisa feia nem suja. O silêncio sobre ela, pior ainda, o tabu, é que a transforma e adultera.

Nos idos de 70 e…(?) fui assistir, num cinema de Lisboa à exibição de um filme sobre educação sexual projectado nas escolas suecas às crianças a partir dos 8 (oito) anos. O filme, informativo, formativo e pedagogicamente cuidado e bem construído, teve como assistentes – adultos – pois assim estava classificado.

A sala cheia de casais, maioritariamente entre os [23-30] – assim o meu olhar empírico considerou. Aos 15´de projecção começaram a levantar-se e sair da sala. Quando a sessão acabou a sala estava quase vazia.

Que educação sexual deram estes pais aos filhos? Ou, se também professores, aos filhos e aos alunos?Que debate sério se pode ter em torno de algo que é parte de nós – a nossa sexualidade – mas que é negada e tratada como assunto tabu.

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