Primeiro satélite faz 50 anos

Em 1957 comemorava-se o Ano Geofísico Internacional (entre 1 de Julho de 1957 e 31 de Dezembro de 1958). Para o celebrar os EUA tinham prometido lançar o primeiro satélite artificial, mas na véspera da inauguração do VIII Congresso Internacional da Astronáutica, que se realizou em Valência, a 5 de Outubro de 1957, a nata dos cientistas astronáuticos e o Mundo em geral foram apanhados de surpresa: a União Soviética, que tinha realizado o seu programa espacial de forma silenciosa, adiantou-se e lançou o primeiro satélite artificial, o ‘Sputnik1’.

Os EUA tinham menosprezado a eficácia soviética pois existia a noção, enraizada em toda a América, de que não só os americanos constituíam a vanguarda tecnológica do Mundo como a de que o povo soviético era particularmente atrasado em termos tecnológicos. Em plena Guerra Fria, os americanos sentiram-se humilhados e até vulneráveis, dado que o lançamento de um satélite constituía uma ameaça de domínio mundial. A União Soviética provou que estava apta a colocar em órbita objectos de 80 quilos (que poderiam muito bem ser bombas). Assim, qualquer alvo situado em qualquer parte do Mundo passava a estar ao alcance dos mísseis balísticos intercontinentais soviéticos, como o foguete lançador R7 que, não se mostrando até então uma arma muito eficaz para levar destruição ao inimigo, foi ainda assim uma arrasadora arma de propaganda.

O ‘Sputnik’, lançado para além da atmosfera, viajava a uma velocidade suficiente (8 km/s, ou seja, cerca de 29 800 km/h) para permanecer em órbita, como a Lua. Dava uma volta à Terra em pouco mais de 96 minutos a uma altitude entre os 228 e 947 quilómetros. Acima dos 240 quilómetros a densidade da atmosfera da Terra é tão baixa que quase não tem efeito sobre um corpo em movimento. O pior é que, no seu perigeu, a órbita do ‘Sputnik’ levava-o regularmente abaixo desse limite, pelo que não poderia ficar no Espaço indefinidamente: a fricção actua com um travão e o veículo acabaria por decair, queimando-se nas camadas mais densas da atmosfera.

Fonte: Noticia retirada do jornal Correio da Manhã

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